FRASE DO ANO...

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...”

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O TEMPO



O tempo passa...
e arregaça corações,
relações...

Mutila,
degenera,
desespera..

Leva-nos,
embora,
sem escolha,
sem demora...

Que horas são?
Perguntamos a toda hora...
que importa?
a mesma de ontem,
do hoje, do amanhã
e nem vemos o tempo passar...

Mas passa...
passa rápido...
sorrateiro,
traiçoeiro,
Sem ao menos nos consultar...

e de tanto tempo que perdemos,
tentando nos achar,
é que resta a suprema dúvida:
que será de nós,
quando o tempo passar?
Donato César Pierini
Enviado por Donato César Pierini em 30/03/2007

TODO CASAL DEVERIA LER (Arthur da Tavola)

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.

Tudo o que todos querem é amar. 
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. 
Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. 
Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. 
Tem algum médico aí??

Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor.
Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. 
O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. 
É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. 
O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre casados não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. 
Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna. 


Casaram. 
Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. 
O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.

Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.

É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios.
Alguma paciência. 
Amor, só, não basta.
Não pode haver competição. 
Nem comparações.
Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar. 
Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência.
Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra.
Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança.
Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. 


E que amar, "solamente", não basta.

Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. 
Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. 


O amor é grande mas não é dois.

É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. 


O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm!

Um bom encontro aos que procuram!

E felicidades a todos nós!!


Complementando com Rob Reiner: " O pior silêncio, é aquele, recheado, com tudo o que já foi dito."

AFINIDADE.... (Arthur da Távola)


AFINIDADE
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

VOCÊ SE LEMBRA ???

Você se lembra daquele punho cerrado, emocionado, que segurava aquela bandeira de glória, vibrante... saudando a vitória?
Era o meu punho... era o punho de um país inteiro, que apesar das incertezas e de tudo não ficava mudo...
Você se lembra daquele rosto de menino coração de homem, que distribuía emoção, de graça, com raça?
Era o meu rosto...
era o rosto de um país inteiro
que apesar de decepções, de golpes, de tudo
insistia em não ficar mudo...
Você se lembra daquela musiquinha,
que tocava quase todos os domingos de manhã,
e que trazia a fé e a esperança no amanhã?
Era a minha música... era a música de uma nação
que explodia de emoção, incontida, reprimida ora pela dor, ora pelo rancor, ora pelo desamor.
Aquele punho já não se ergue mais... mas sua imagem, o exemplo deixou e o nosso punho continua no alto mostrando ao mundo que a vitória ficou.
Aquele sorriso de menino se foi... mas num esforço hercúleo, nós continuamos a sorrir, mesmo que párias e incompetentes insistam em impedir.
Aquela musiquinha ainda toca...
toca no meu coração...
toca no imenso coração desse país imenso
que insiste em manter vivo
dia após e após,
o Ayrton Senna que há
dentro de cada um de nós...

Donato César Pierini em 01/05/1994, um dos dias mais trágicos, tristes e emotivos na história esportiva brasileira...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A IDADE DE SER FELIZ

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

SERIA...

Seria belo,
não fosse triste,
e não trouxesse dor,
saber que a vida passa,
e insiste,
em levar para longe,
nosso elo de amor.

Seria triste,
não fosse belo,
olhar o tempo,
esvaindo,
insistindo, em levar,
pensamentos, juras,
pro firmamento,
para as alturas.

seria pouco,
se não fosse muito,
o desejo intenso de reter,
as emoções,
nos corações,
e o ensejo imenso,
das paixões.

seria muito,
se não fosse pouco,
esse, até louco,
transtorno,
que destrói,
pouco a pouco.
e nem concede
retorno.

seria tudo,
se não fosse nada,
o fim do túnel,
nessa estrada.

Seria inerte,
não fosse um voo,
seria belo,
não fosse triste,
saber que o tempo,
passou.

Seria seu,
se não fosse de mim,
seria meu, se não fosse
de ti,
seria imenso,
se não tivesse fim.

PRAZER

Não escrevo,
para ser reconhecido,
nem como poeta,
nem essa meta tenho tido.

Escrevo,
pelo prazer,
de dar asas a alma,
e, libertá-la,
de tudo que não me condiz.

De poeta,
sou aprendiz,
da meta,
nem sei se já fiz.

De visão concreta,
só mesmo,
com calma,
Minh´alma me diz.